— Como? – perguntei confuso.
— Se ele é camarão, joga-se a cabeça fora e só se aproveita o corpo?
— Não meu amigo é ele ‘todo gostoso!’ – sorri.
Meu celular toca...
— É ele Rudi – falei.
— Quem?
— O Hian.
— Então atende!!!
— Alô! – eu disse atendendo o celular.
— E ai rapaz? – Hian respondeu animado – Como está meu aluno preferido?
— Bem ‘professor’ e você?
— Ótimo agora falando contigo, mas pode ficar ainda melhor só ta dependendo de você!
— De mim? Nossa, farei o possível.
— Bem, você deixou seu telefone comigo e perguntei se poderia te ligar qualquer dia não foi?
— Sim!...
— Como a gente não se viu a semana toda eu queria propor um cineminha com direito a lanche depois, o que acha?
— A que horas?
— Umas oito e meia da noite, pode ser?
— Pode sim! Que filme vamos ver?
— Crepúsculo! Já assistiu?
— Não, mas há tempos tenho vontade de ir ver.
— Então oito e meia na porta do cinema, certo?
— Tá marcado, a gente se encontra lá!
— Até...!
— Tchau – desliguei e voltando-me pro Rudi reproduzi minha conversa – A gente marcou de sair!
— Ahhhhh... Quando, onde, fazer o quê?
— Hoje à noite, vamos pro cinema assistir Crepúsculo.
— Arrasou! – fez uma pausa e continuou – mas que onda foi aquela de “professor”?
— Fiquei com ele numa aula de surf.
— Como se você não sabe surfar?
— A Carla o conheceu e nos apresentou. Eu ficava com o Hian enquanto ela ficava como irmão dele, o Júlio. Eles são gêmeos.
— Que fofo... Mas cuidado com esse irmão repetido dele hein, já basta o namorado da tua prima estar afim de ti! Não vai arrumar problema com o da tua irmã, viu!
— Deus me livre Rudi, vira tua boca pra lá!
— É... Mas você fica ligado, gêmeos idênticos, sabe né?
— O quê?
— Vai ver eles não são iguais só na aparência, então...
— Parece que bebeu Rudi, o Júlio é hétero!
— Eu que não ponho minha mão no fogo, ainda mais com você solto por aí, destruindo corações. Hahahahaha!
— Hahá! Palhaço!!! Paga a conta e vamo embora, anda!
Saímos de lá e Rudi veio me deixar em casa. Fui pro meu quarto tomar banho e durante o longo tempo que passei embaixo do chuveiro refleti sobre a situação toda. Cheguei à conclusão que Rudi estava certo, se Marco tinha ido embora, e nada tivera acontecido, não tinha motivo pra que eu me martirizasse e me preocupasse em contar algo pra Laura, pois no fim nada de comprometedor se passou. E talvez o que eu precisasse pra esquecer isso, fosse somente dar atenção a outras coisas mais produtivas, como sair com alguém e me divertir.
Fui pra sala ver um pouco de tevê e Carla estava lá também, ela me chamou baixinho pro sofá em que estava e ao me sentar ao seu lado foi logo me contando:
— Vitor, você vai me ajudar num esquema hoje à noite!
— Como assim, o que é?
— O Júlio me chamou pra ir ao cinema com ele hoje, mas tu sabe que o papai não vai me deixar ir sozinha no carro com ele né?
— É verdade!
— Pois é, daí eu preciso de um favor teu!
— Já sei! Quer que eu saia contigo no carro pra tu poder se encontrar com o Júlio né?
— Isso garoto inteligente!
— Mas tu tem sorte hein!
— Por quê?
— O Hian também me convidou pra ir ao cinema essa noite.
— Que sessão?
— Das oito e meia.
— Tá certo, vou pedir a grana pro papai dizendo que vou contigo!
— Tá vai!
Minha irmã voltou em alguns instantes dizendo que nosso pai havia lhe dado o dinheiro e a permissão pra ir comigo. Cansado, me levantei do sofá e fui descansar um pouco no quarto.
Era noite e após o jantar Carla e eu estávamos de saída pro nosso encontro duplo. Os gêmeos nos esperavam em frente ao cine Delta e faltavam somente dez minutos pra que o filme começasse, tempo esse que compramos pipoca, refrigerante e entramos. Sentei com Hian bem no meio da penúltima fila e Carla se manteve com Júlio bem atrás de mim. O filme teve início e não tirei os olhos da tela, pois ver um filme pra mim é sagrado, assim como para os outros é a missa, no entanto, Carla e Júlio não pensavam como eu, e nem como os outros, entre beijos e amassos marcavam algo pro seu fim de noite.
O filme havia terminado dez e maia da noite. As onze estávamos todos em uma lanchonete da Av. São Sebastião, cada um com um hot-dog maior que o outro. No momento seguinte em que pagamos a conta, conversamos sobre pra onde iríamos dali.
— Vitinho, vamos fazer assim – propôs minha irmã – Você sai com o Hian no carro do papai e eu saio com o Júlio no carro deles, pode ser?
— Ah não sei Carla tá tarde e eu quero ir embora logo! – respondi.
— Ora, leva o Hian pra lá então!
— E você?
— É só você deixar o portão aberto e a chave da porta na caixa do correio que eu entro sem ninguém perceber!
— Tá a fim de ir comigo, Hian? – convidei.
— Claro, sem problema! – concordou ele.
Deixei Carla e Júlio irem pra não sei onde e me mandei pra casa com Hian.
(lembrar d q Carla cheegou em casa qndoo dia estava amnhacendo e foi surpreendida por seu pai, que ao perguntar se so agora ela havia xegado, ]respobnde que já estav era saindo pra igreja).



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