Lex Phb


26/04/2009


2 hearts parte 12°

— Como? – perguntei confuso.

— Se ele é camarão, joga-se a cabeça fora e só se aproveita o corpo?

— Não meu amigo é ele ‘todo gostoso!’ – sorri.

Meu celular toca...

— É ele Rudi – falei.

— Quem?

— O Hian.

— Então atende!!!

— Alô! – eu disse atendendo o celular.

— E ai rapaz? – Hian respondeu animado – Como está meu aluno preferido?

— Bem ‘professor’ e você?

— Ótimo agora falando contigo, mas pode ficar ainda melhor só ta dependendo de você!

— De mim? Nossa, farei o possível.

— Bem, você deixou seu telefone comigo e perguntei se poderia te ligar qualquer dia não foi?

— Sim!...

— Como a gente não se viu a semana toda eu queria propor um cineminha com direito a lanche depois, o que acha?

— A que horas?

— Umas oito e meia da noite, pode ser?

— Pode sim! Que filme vamos ver?

— Crepúsculo! Já assistiu?

— Não, mas há tempos tenho vontade de ir ver.

— Então oito e meia na porta do cinema, certo?

— Tá marcado, a gente se encontra lá!

— Até...!

— Tchau – desliguei e voltando-me pro Rudi reproduzi minha conversa – A gente marcou de sair!

— Ahhhhh... Quando, onde, fazer o quê?

— Hoje à noite, vamos pro cinema assistir Crepúsculo.

— Arrasou! – fez uma pausa e continuou – mas que onda foi aquela de “professor”?

— Fiquei com ele numa aula de surf.

— Como se você não sabe surfar?

— A Carla o conheceu e nos apresentou. Eu ficava com o Hian enquanto ela ficava como irmão dele, o Júlio. Eles são gêmeos.

— Que fofo... Mas cuidado com esse irmão repetido dele hein, já basta o namorado da tua prima estar afim de ti! Não vai arrumar problema com o da tua irmã, viu!

— Deus me livre Rudi, vira tua boca pra lá!

— É... Mas você fica ligado, gêmeos idênticos, sabe né?

— O quê?

— Vai ver eles não são iguais só na aparência, então...

— Parece que bebeu Rudi, o Júlio é hétero!

— Eu que não ponho minha mão no fogo, ainda mais com você solto por aí, destruindo corações. Hahahahaha!

— Hahá! Palhaço!!! Paga a conta e vamo embora, anda!

Saímos de lá e Rudi veio me deixar em casa. Fui pro meu quarto tomar banho e durante o longo tempo que passei embaixo do chuveiro refleti sobre a situação toda. Cheguei à conclusão que Rudi estava certo, se Marco tinha ido embora, e nada tivera acontecido, não tinha motivo pra que eu me martirizasse e me preocupasse em contar algo pra Laura, pois no fim nada de comprometedor se passou. E talvez o que eu precisasse pra esquecer isso, fosse somente dar atenção a outras coisas mais produtivas, como sair com alguém e me divertir.

Fui pra sala ver um pouco de tevê e Carla estava lá também, ela me chamou baixinho pro sofá em que estava e ao me sentar ao seu lado foi logo me contando:

— Vitor, você vai me ajudar num esquema hoje à noite!

— Como assim, o que é?

— O Júlio me chamou pra ir ao cinema com ele hoje, mas tu sabe que o papai não vai me deixar ir sozinha no carro com ele né?

— É verdade!

— Pois é, daí eu preciso de um favor teu!

— Já sei! Quer que eu saia contigo no carro pra tu poder se encontrar com o Júlio né?

— Isso garoto inteligente!

— Mas tu tem sorte hein!

— Por quê?

— O Hian também me convidou pra ir ao cinema essa noite.

— Que sessão?

— Das oito e meia.

— Tá certo, vou pedir a grana pro papai dizendo que vou contigo!

— Tá vai!

Minha irmã voltou em alguns instantes dizendo que nosso pai havia lhe dado o dinheiro e a permissão pra ir comigo. Cansado, me levantei do sofá e fui descansar um pouco no quarto.

Era noite e após o jantar Carla e eu estávamos de saída pro nosso encontro duplo. Os gêmeos nos esperavam em frente ao cine Delta e faltavam somente dez minutos pra que o filme começasse, tempo esse que compramos pipoca, refrigerante e entramos. Sentei com Hian bem no meio da penúltima fila e Carla se manteve com Júlio bem atrás de mim. O filme teve início e não tirei os olhos da tela, pois ver um filme pra mim é sagrado, assim como para os outros é a missa, no entanto, Carla e Júlio não pensavam como eu, e nem como os outros, entre beijos e amassos marcavam algo pro seu fim de noite.

O filme havia terminado dez e maia da noite. As onze estávamos todos em uma lanchonete da Av. São Sebastião, cada um com um hot-dog maior que o outro. No momento seguinte em que pagamos a conta, conversamos sobre pra onde iríamos dali.

— Vitinho, vamos fazer assim – propôs minha irmã – Você sai com o Hian no carro do papai e eu saio com o Júlio no carro deles, pode ser?

— Ah não sei Carla tá tarde e eu quero ir embora logo! – respondi.

— Ora, leva o Hian pra lá então!

— E você?

— É só você deixar o portão aberto e a chave da porta na caixa do correio que eu entro sem ninguém perceber!

— Tá a fim de ir comigo, Hian? – convidei.

— Claro, sem problema! – concordou ele.

Deixei Carla e Júlio irem pra não sei onde e me mandei pra casa com Hian.

 

(lembrar d q Carla cheegou em casa qndoo dia estava amnhacendo  e foi surpreendida por seu pai, que ao perguntar se so agora ela havia xegado, ]respobnde que já estav era saindo pra igreja).

Escrito por LexPhb às 01:31 PM
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2 hearts parte 11°

Pedi uma água também e quando o vendedor nos deu as costas tratei de perguntar o que estava acontecendo com Rudi.

— Tu ta desesperado é?

— Por quê?

— Olha só o jeito que tu fala com o cara! Só falta se derreter pelo chão.

— Ah Vitor, ele é T.D.G.(tudo de gostoso)!

— E precisa pirar assim? Tá me matando de vergonha!

James voltou com nossos copos d’água perguntando:

— E então? Interessaram-se por algo?

— Com certeza! – Rudi respondeu.

Nesse momento, não agüentei de vergonha. Saí de perto deles dizendo que iria ver os óculos escuros perto do balcão e os deixei. Uma moça bastante simpática quis me atender. PRISCILLA era o nome dela que estava impresso em seu crachá. Era alta, corpo esbelto, tinha porte de modelo. Aparentava ter uns 22 anos, cabelos pretos ondulados, com um corte da moda, pele com um leve bronzeado e medidas de dar inveja a uma líder de torcida americana.

Pedi que tirasse do mostruário um par de óculos da lacoste e prontamente ela me entregou.

— Você tem muito bom gosto!

— Obrigado! – agradeci com um sorriso e constatei que aquela moça não era só bonita, tinha um charme e educação exemplares.

— Mas se você optar por um modelo mais largo e de lentes separadas, ao invés dessas lentes unidas, ficará melhor no seu rosto, pois o esconderia menos – completou a atendente.

— Você tem toda razão! – essa definitivamente a fez subir ainda mais no meu conceito, pois linda e inteligente como era, demonstrava que instrução e carisma não lhe faltavam, coisas que nas lojas de Parnaíba é muito difícil de serem encontradas.

Rudi aproximou-se de mim e me levou a um corredor menos movimentado na hora em que Priscilla me mostrava um lindo par da playboy sunglasses.

— Vitor, você vai levar alguma coisa, não vai? – perguntou meu amigo quase murmurando ao meu ouvido.

— Dependendo do limite disponível no cartão... Por quê?

— Por que eu não posso sair daqui de mãos vazias, passei quase meia hora flertando com o vendedor, e melhor, acho que ele me deu bola!

Olhei o preço dos óculos. R$ 190,00. E me voltei pro Rudi:

— É quase meu limite todo!

— Leva, por favor, nem que eu te ajude a pagar, mas deixa eu passar o cartão com o James, vai?!

— Tá, mas você paga o almoço!

— Fechado!

Voltei ao balcão onde Priscilla e James esperavam nossa decisão e disse que iria levar os óculos, pois meu amigo fez questão de me dá-los de presente. Rudi tirou do bolso meu Visa que o mandei guardar quando estávamos no corredor e perguntou:

— Esse valor vocês dividem em quantas parcelas?

— Em até quatro parcelas – respondeu a moça.

— Vamos levar – respondi e cochichando discretamente no ouvido de Rudi completei – Duas parcelas pra cada um!

— Tudo bem! – conferindo o nome do titular no cartão Priscilla disse – James acompanhe o Vitor Ayres de Brito pra que ele assine o comprovante da compra enquanto eu separo o produto.

Rudi foi com James no meu lugar pra outro balcão onde ficavam as máquinas de cartão de crédito e eu fiquei com a atendente embrulhando meu presente.

— Adorei sua recomendação, o atendimento também foi 10 – elogiei.

— Obrigada – ela agradeceu.

Rudi havia voltado com o vendedor e os recibos na mão.

— Aqui está o cartão da loja – falou James dando um cartão pra cada um de nós – Obrigado e voltem sempre!

— Pode deixar, Tchau e boa tarde! – respondeu Rudi.

— Boa tarde Priscilla! – desejei à moça, que rebateu:

— Igualmente Vitor!

Saímos da loja sorrindo. Eu por perceber que ela havia notado o esquema dos óculos e Rudi por ver o celular do vendedor anotado atrás do cartão que ele recebera.

Fomos almoçar...

Na fila do self-service de um restaurante, fizemos nosso prato e sentamos à mesa.

— Viu moço? O rapaz da loja tava mesmo a fim de mim! – Rudi comentou.

— Como você sabe? Ele te convidou pra entrar no provador escondido com ele?

— Bem que eu queria, mas quem sabe ISSO... – mostrando o numero no cartão –... Seja meu ticket pra uma aventura muito melhor que transar num provador?

— Sei, mas e o John? Já deu um fora nele?

— Ah, a gente se viu depois daquele dia, mas conversando, vimos que nossos interesses divergiam e acabamos decidindo que ficaríamos melhor se continuasse só na amizade.

— Traduzindo: Você viu que ele gostava da mesma fruta que você, e pra não acabarem quebrando-louça quiseram ser só “amigas”.

— Ahhhhh Viado!

Sorri muito da cara dele. Tenho que dizer que isso me fez esquecer uns instantes do assunto ‘MARCO’. Nem vimos o tempo passar enquanto comemos, na sobremesa “grátis” (como dizia o anúncio), Rudi puxa conversa:

— Sim e aí? Como ficou tua estória com o namorado da tua prima?

PRONTO, RELEMBREI O ASSUNTO!

— Resumindo! Ele foi embora segunda-feira passada com ela. Na hora de ir ele não trocou nenhuma palavra comigo, não sei se foi por causa de ciúme do cara que eu fiquei lá na praia ou por causa do que eu disse na noite que fomos pra tua casa no coqueiro, ele simplesmente fez as malas e saiu sem nem dizer tchau.

— Ótimo! Assim o assunto se encerrou e cada um volta pra vida que têm como se nada tivesse acontecido!

— É, eu ia voltar a minha vida como antes se não fosse pelas lágrimas que eu vi ele derramar enquanto fazia as malas no meu quarto!

— É moço,mas se você não quiser arrumar confusão com a Laura, é melhor tratar de esquecer esse assunto, enquanto ficou só nisso.

— Vou tentar.

— É faz isso! Tu tá precisando é sair, aliás, no que deu teu rolo com o Diego? Vocês ficaram?

— Não! Não rolou nada, a gente passou a noite no falatório, não tava com cabeça pra nada, afinal, eu tinha acabado de sair do quarto meio confuso com a conversa que tive com o Marco, por isso não teve clima.

— E esse carinha que você ficou na praia?

— O Hian!

— Isso, ele é bonito?

— Muito gato! Estilo surfista?

— Ele é “camarão”?

Escrito por LexPhb às 01:29 PM
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2 hearts parte 10°

— Tá, vou só trocar de roupa e passo aí pra gente ir.

— Pois vem mesmo que meu pai saiu no carro e a Carla na moto.

— Tô indo então! Tchau.

— Tchau.

O sol estava ameno, com cara de que iria chover à tarde, uma brisa fria típica do litoral balançava as folhas das árvores na Praça da Graça onde caminhávamos procurando um local pra falar. Já não agüentando mais de tanta curiosidade Rudi me perguntou:

— Anda Vitor, desembucha logo o que te fez me ligar tão cedo assim, pra vir no centro em pleno sábado, logo quando tudo vai estar fechado depois do meio-dia?

— Rodrigo Viana (que era o nome de batismo do Rudi), por tudo que há de mais sagrado no mundo, pela nossa longa e duradoura amizade de 10 anos e por todos os teus podres que eu sei que tu esconde, me jura que nunca vai sair daqui o que eu vou e dizer!!!

— Juro – respondeu ele, rindo da minha frase anterior.

— Fala sério, porra! – briguei.

— Tô falando cara vai conta!

— Pela tua mãe hein?

— Aff... pela minha mãe não! Ela é sagrada!

— Pelo quê então?

— Pelo meu pai!

— Tá ok, posso começar?

— Rasga!!!

— Me deixa ver, é complicado e tem lance de família no meio.

— Teu pai soube de ti?

— Não, tu é doido? Se bem que eu acho que minha mãe já deve ter contado pra ele!

— Também... Tua mãe sabe de ti desde o momento que tu veio ao mundo! Foi tu nascendo e uma estrela rosa brilhando bem em cima do hospital! Hahahahaha!

— Viado te cala, que eu nasci foi de manhã! – já impaciente com tanta besteira, dei continuidade ao meu relato interrompido – Tu vai deixar eu falar?

— Tá, diz!

— Falando sério agora... Lembra do Marco, o ficante da Laura?

— Lembro sim, um gato ele!

— Pois é...

— O que foi? – olhando-me com espanto, Rudi parou e disse – Tu ficou com ele?

— Mais ou menos!

— Como assim mais ou menos? – gritando, obviamente muita gente nos olhou essa hora – Ou ficou, ou não ficou ora!

— Ele quis, mas eu não aceitei!

— Fez bem! E aí, como foi?

— No dia em que ele chegou, Laura me pediu que o hospedasse lá em casa, e já nessa mesma noite ele tentou algo mais na hora de dormir.

— Ahhh meu amigo, com um corpão daquele era eu quem tinha não só tentado, como “feito”, algo mais antes de dormir.

— Esqueceu que ela é minha prima?

— Sim e daí? Foi ele quem foi pra cima!

— Rudi, tu já ouviu falar que ‘quando um não quer, dois não transam’? E além do mais onde estaria o respeito nisso tudo? Ou vai dizer que você não se importaria caso um dia eu resolvesse tomar um namorado teu?

— A gente é amigo besta, tudo que é meu divido com você! – debochou.

— Não tô brincando cara, isso é sério!

— Você contou pra ela?

— Não.

— E então, pra quê se remoer assim?

— Deixa eu te contar outra coisa pra ver se entende. Ele não parou por aí, no dia que fomos terminar de comemorar teu aniversário na praia, ele fez uma cena de ciúme por causa de um rapaz que eu tava ficando.

— Era só você não ter dado confiança.

— E não dei! – fiz uma pausa pra molhar a garganta e continuei – À noite, quando você fez a divisão dos quartos e saiu pra ver o John, ele aproveitou enquanto estávamos sozinhos, trancou a porta do quarto e se deitou comigo na cama.

— Cara, isso era pra ter contado pra Laura!

— Com que coragem?

Eu ainda esperava alguma resposta de Rudi quando de repente ele me puxou pelo braço, caminhando rápido e de cabeça baixa, como se tivesse visto o diabo em pessoa. Bem... era quase isso! David lanchava num dos bancos da Praça com Mauro, um outro ser repugnante que só cultivava amizades para interesse próprio, a fim de conseguir se dar bem às custas dos outros, a famosa bixa-parasita.

— Você acha que eles viram a gente, Vitinho?

— Sei lá Rudi, eles ainda estão lá comendo.

— Não é nem pelo David, Vitor, mas o Mauro me dá ânsia de vômito! Vamos sair daqui!

— Ummhum!

Eu mal tinha ouvido falar do Mauro, mas o pouco que já haviam me dito, somado com suas amizades um tanto suspeitas me faziam querer distância. David me dera contribuição de sua verdadeira personalidade na casa de praia, portanto, quando Rudi se ofereceu pra entrar em alguma loja pra que nos escondêssemos deles concordei na hora.

Era uma das muitas boutiques novas reformadas e recentemente inauguradas ao lado da Caixa Econômica. Trance Boutique era o nome do local, decorado com elementos que nos lembrava uma boate, com paredes texturizadas em cores fortes, quase numa mistura de rosa-pink com laranja e verde limão, os expositores em tons claros, provavelmente brancos que absorviam e realçavam-se sob as luzes-negras refletidas, isso tudo com um charme todo especial de um globo de espelhos no teto, que completava o cenário do ambiente. Vendiam roupas e acessórios pra moda jovem.

Encantei-me com o local e circulei pra conferir os produtos, enquanto isso, Rudi já conferia os “outros produtos” da loja.

— Vitinho, olha só que monumento é aquele vendedor!

— Realmente! – o cara ela lindo, moreno, cabelo liso fixado no gel, fardado com o emblema da loja no peito, era forte e bem másculo, ou seja, despertava a fantasia na cabeça de qualquer um.

— Bom dia! – cumprimentou o vendedor.

— Muito bom! – Rudi respondeu quase babando.

— Meu nome é James, em que posso ser útil? – não é preciso ser vidente pra saber em quê o Rudi queria “utilizá-lo”, e pra não deixar escapar nenhuma besteira da boca dele tratei de respondeu eu mesmo:

— James a gente entrou pra conhecer a loja, estamos olhando primeiro.

— Ok, então vou deixá-los à vontade e em um instante eu volto, aceitam uma água, suco ou refri?

— Uma água, por favor – Rudi respondia dando a maior bandeira.

Escrito por LexPhb às 01:27 PM
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2 hearts parte 9°

— Pode chamar! Assim eles vêem o motivo do meu suicídio!

Rudi se zangou com a ameaça. Atravessou o quarto, puxou o rapaz da varanda, mas não teve como contê-lo. David se jogara de uma altura de 4,5 metros. Caiu como uma pedra na piscina. Imediatamente Diego mergulhou, trazendo o rapaz pra superfície.

— Me solta! Me solta! Tu que deu em cima do meu namorado! Me solta!

David se torcia e esperneava, ele confundia Diego com John, também pudera, sendo os dois gêmeos idênticos era impossível distinguir. Foi muito difícil tira-los da piscina. Fabi puxou pela borda e enrolando numa toalha levou-o para seu quarto. Seu irmão a acompanhou.

Minutos depois, Rudi volta nos convidando para deitar. Fez a divisão dos quartos, que foi a seguinte:

— Fabi levou David pra dormir no quarto dela. Laura e Carla ficam no meu quarto. John e Diego, vocês vão pro quarto de hóspedes. Marco, Vitor e Eu dormimos no quarto dos meus pais, ou seja, o da varanda, pois ele é maior!

Feita essa separação fomos dormir. Rudi e eu na cama de casal e Marco num colchonete no chão.

Duas da madrugada. Abri os olhos sonolento e vi Rudi se levantar.

— Aonde você vai? – sussurrei.

— O John tá me esperando na piscina. Volta a dormir!

Ajeitei-me na cama e tentei fazer o que meu amigo sugeriu, infelizmente não consegui, o sono fugira de mim. Virei para o outro lado da cama me dei conta que Marco não estava no colchonete. Sentei na cama e o vi passando a chave na porta. Deitei rapidamente e fechei os olhos. Marco deitou também. Na cama. Comigo. Abraçando-me por trás.

— Não foi sonho né? – perguntei.

— O quê?

— No meu quarto, você beijava meu pescoço. Eu achei que era sonho, mas não foi!

— Pensei que você tivesse gostando.

— Eu tava cansado! – sentei-me na cama.

— Mas aceitou!

— Então foi por isso que me cobrou ciúmes na praia?

— Foi! – sentando-se também – Eu quase pirei quando te vi beijando o Hian!

— Cara, você é namorado da minha prima!

— Não! A gente tava só ficando, mas aí ela inventou de vir pra cá e me apresentou você! Eu, eu...

— Você é gay Marco?!

— Não!

— Como não? Cara você tava com ciúme de mim!

Um silêncio ensurdecedor contagiou o quarto.

— Eu não sou gay! – disse Marco saindo porta afora.

Ouvi seus passos na escada, desci e encontrei Diego.

— O que faz acordado? – perguntei.

— O John está com o Rudi. Eu tava na cozinha quando ouvi o namorado da tua prima passar, imaginei que você estivesse sozinho e decidi subir pra te ver.

— Desculpa Diego, mas eu não to muito legal.

— Então vem deitar comigo, eu durmo contigo. Só durmo, juro!

— Tá bem! – concordei.

Fomos pro quarto de hóspedes. Deitei ao lado do Diego, beijei-o no rosto e adormeci.

De manhã levantei da cama e fiquei olhando Diego dormir. – Ele foi um amigão me chamando pra deitar com ele sem ao menos querer nada em troca – pensei.

— Faz tempo que ta aí me olhando? – ele perguntou, acordando.

— Uns cinco minutos. Esperei pra gente tomar café junto. – respondi.

— Você também espera eu banhar?

— Claro, vai lá!

Ele sentou na cama tirou a camisa, logo em seguida, pôs-se de pé e tirou a calça, indo pro banheiro só de cueca. Ouvi a água do chuveiro cair sem ninguém em baixo dela. Diego veio até a porta do banheiro, que ele propositalmente havia deixado aberta e me chamou:

— Vem tomar banho comigo!

Tremi na base, mas num impulso aceitei o convite. Tirou minha roupa e me levou pra baixo d’água. Senti cada toque mais quente do que a própria água que escorria em nosso corpo. Naquela situação não o imaginei tão amigão assim, era mais como uma forma carnal de desejar uma pessoa sem sentimento algum. Os beijos foram descendo pescoço abaixo, mordi seu peito com força e o olhei nos olhos. Ele estava gostando! Encaminhei minha boca até a cintura que insinuava um caminho de pêlos do umbigo ao pecado.

— MENINOS, A GENTE TÁ ATRASADO!!! – fomos interrompidos por Carla que por sorte gritou do corredor, pois se ela entra quarto adentro nos pega no flagra.

Saí daquele transe hipnótico e me vesti pra tomar café. Diego fez o mesmo, deixando trancado no banheiro o lance que tivemos.

Na cozinha, os que não estavam na mesa conosco encontravam-se arrumando as bolsas para ir embora. Laura e Marco chegaram me apressando, pois teriam que voltar na mesma tarde pra capital.

Agradeci Rudi, dando novamente os parabéns, despedi-me de Diego com um abraço e parti.

Com o sentido firme na estrada, de vez em quando meu olhar se cruzava com o de Marco pelo retrovisor, estava sério e só respondia o que Laura perguntava:

— O Vitinho me deixa em casa primeiro e depois passo na casa dele, ok Marco?

— Certo.

O som alto no carro me distraia dos meus pensamentos e uma angústia estranha dava um nó na minha garganta, nem ouvi quando Laura me avisou que já tínhamos chegado.

— Que horas vocês vão prima? – perguntei.

— Depois do almoço minha amiga passa aqui e vamos pegar o Marco na tua casa pra poder irmos. – ela respondeu batendo a porta do carro – até daqui a pouco!

Marco e eu almoçamos e fomos pro meu quarto. Eu o via arrumar as malas sem trocar uma palavra comigo e ao mesmo tempo pensava na noite passada: – Como pode? Logo o namorado da minha prima? – Confuso estava e mais confuso fiquei. Meu coração apertou quando notei Marco derramar umas lágrimas. Na calçada de casa um carro desconhecido encostou, Laura viera buscá-lo. Ele pegou sua bagagem e ao cruzar a porta do meu quarto pude confirmar pelos olhos vermelhos que havia mesmo chorado. Fechei a porta e liguei o som. Tirando a expressão de tristeza do rosto, ele foi em direção ao carro. Eu o observava da janela do meu quarto.

“— Acho que esqueci minha escova de dente! – disse Marco entrando em casa.

Ouvi seus passos correrem até mim e à medida que se aproximava acelerava meu coração. Ele invadiu meu quarto, passou direto pro banheiro sem nem olhar pra mim, voltou com a escova na mão e parou na minha frente. O encarei por dois segundos. Ele me beijou. Não tão rápido e sem emoção como da primeira vez, agora realmente pude sentir seus lábios junto aos meus, sua língua percorrendo minha boca e sua mão na minha nuca me puxando para mais perto. Apertei-lhe contra meu corpo pela cintura com um dos braços, fazendo com que minha mão tocasse sua bunda; ao mesmo tempo em que a outra acariciava seu rosto. Ele mesmo encerrou nosso beijo e saiu, indo embora com minha prima.”

Teria sido ótimo se realmente tivesse acontecido assim. Mas não! Imaginei tudo numa vontade reprimida que jamais irei libertar.

Marco e Laura realmente tinham voltado para Teresina, mas nosso beijo de despedida só existiu nos meus pensamentos.

Passei dois dias pensando nisso. Laura ligava pra saber o porquê de eu não ter me despedido dela, demorei um tempo pra atender e quando o fiz, inventei uma desculpa esfarrapada que me fez sentir ainda mais culpado, tanto por não ter ido falar com ela antes de ter viajado, como por ter tido pensamentos tão pérfidos com seu namorado.

Não era só o fato de descobrir que o Marco estava afim de mim que me deixava angustiado. Tinha também o lance de achar que o beijo que demos no estúpido jogo que o David nos fez participar tinha sido culpa da Laura. SIM CULPA DELA! Pois na minha cabeça, uma vez ou outra, me vinha o pensamento de que se ela não tivesse permitido aquele beijo, eu não estaria tão envolvido na situação! Ou melhor, se ela não tivesse deixado o Rudi nos por no mesmo quarto na casa de praia ou ainda, se ela mesma não tivesse pedido pra ele dormir comigo logo na noite em que chegaram, o lance dos beijos nas minhas costas jamais teria ocorrido, ele nunca teria me cobrado ciúmes e eu não estaria tão arrependido por tê-lo deixado ir com essa raiva de mim. Mas peraí... por quê eu tô culpando minha prima? Ela não teve culpa de nada, afinal, foi o Marco quem estrelou a grandiosa cena da declaração, portanto, ele é o vilão, por mexer tanto com minha cabeça. NÃO, NÃO, NÃO... PERAÍ DE NOVO! Se ele consegue mexer tanto comigo, alguma culpa eu devo ter nessa estória toda. Aliás, fui eu quem convidou Laura pra ir à festa do Rudi, seu eu não tivesse convidado, ela não tinha chamado Marco pra vir junto e conseqüentemente nada disso estaria acontecendo comigo. PORRA! É loucura demais! Assim vou acabar pirando! Ele não sai da minha cabeça, o modo como o deixei ir embora sem ao menos pedir desculpas está pesando na minha consciência.

Precisava desabafar com alguém... Mas ao mesmo tempo queria me isolar e refletir um pouco, assim, passei o resto da semana sem sair de casa à noite.

 

Capítulo 5

No sábado de manhã, liguei pro Rudi e convide-o pra ir almoçar no centro achando que assim poderíamos conversar.

— Alô?

— Rudi tu pode ir ao centro comigo?

— Que horas moço?

— Ah num sei, vamos agora?!

— A gente vai ficar por lá até que horas?

— Sei lá, até de tarde, eu acho!

— E o almoço, moço?

— A gente come lá, rapaz, vamos?

Escrito por LexPhb às 01:12 PM
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2 hearts parte 8°

— Você vai dizer que o David veio né? – Perguntei a Fabi.

— É, o Rudi convidou ele por educação, mas não achou que aquele esquizofrênico viesse!

Rudi namorou David por dois anos e meio de total conflito e desconfiança. David sempre fora ciumento demais, esse ciúme sufocava e irritava Rudi de tal maneira, que ser infiel tinha se tornado uma válvula de escape freqüente, contudo, essas puladas de cerca se tornaram tão repetitivas que já tinha virado esporte. Simplificando, David acusava Rudi de traição, até que fosse provado o contrário. E o acusado, sem ter como provar, colocava-lhe chifres para que as acusações falsas se tornassem verdadeiras.

Nem precisou que lhe chamassem, Rudi viera da cozinha para que conhecêssemos seus novos convidados, os gêmeos John e Diego e o inesperado David, que chegara um pouco “alto”.

— Agora que todo mundo se conhece, façam o favor de me seguir, pois o jantar está na mesa! – Rudi nos levou para sala de jantar onde um banquete nos esperava.

Mesmo depois de comer, ficamos na mesa conversando até o relógio marcar nove horas. Fabi chegou a me perguntar o porquê de Jacky não ter vindo e respondi delicadamente que ela não poderia vir por problemas com a família. Aproveitei o momento e por sugestão de Fabi liguei para Jacky. Ela me tranqüilizou falando que estava bem e mandou que passasse a ligação para Fabi, que pediu licença e se retirou para dialogar com nossa amiga.

David se embriagava à medida que as horas passavam. Foi ele quem nos sugeriu uma brincadeira para “nos conhecermos melhor”, se chamava ‘Convido ao brinde!’. Consistia em que O Dono do Brinde, deve dizer a sentença: — Convido ao brinde... Os que já forem maior de idade!, E induzir os demais a tomarem um gole de bebida, caso estejam incluídos no fator que o dono do brinde determinou. Caso alguém mentir, esse deve beijar um dos participantes, escolhidos na sorte pelo gargalo de uma garrafa.

— Eu começo, para mostrar como funciona! – iniciou David – Mas aviso desde já que aqueles que aceitaram brincar, estão cientes das regras e penalidades, certo?

Concordamos e David começou:

— Convido ao brinde... Os que já beijaram o Rudi! – apenas David bebeu. Os demais acharam idiota seu brinde, mas mesmo assim continuaram. Por ordem de lugares o próximo foi Rudi.

— Convido ao brinde... Os que querem beijar o Rudi! – David pensava ser o único a beber, e olhou torto para John quando o viu beber também.

— Convido ao brinde... Os que são heterossexuais! – chamou Laura. Além dela mesma, beberam Marco, Carla e espantosamente Diego. John e Rudi acusaram-no de mentir, e esse foi obrigado a pagar a prenda de beijar o apontado pela garrafa. Laura girou. O gargalo parou na frente do John, este, por ser irmão do acusado, teve de transferir a vez para seu colega da esquerda, no caso, eu.

Os outros vibravam vendo a cena proporcionada pelo jogo. Diego levantou, se aproximou de mim e lentamente me beijou, como se não fosse obrigação nenhuma fazê-lo, pelo contrário, mostrava desejo em fazer isso. Alguns gritos e comentários maldosos depois continuamos o jogo, dessa vez pelo próprio Diego.

— Convido ao brinde... Os que já transaram com uma mulher! – não se sabe se o que mais chocou foi o brinde do Diego, ou o fato de Rudi ter brindado junto com Marco e David.

— Como foi isso? – perguntou Laura.

— No 1° ano, no banheiro do Chagão (apelido do nosso ginásio), com a Jéssica. O Vitor sabe disso! Conta o resto Vitinho! – as atenções se voltaram para mim.

Sorri e continuei o relato:

— O Rudi tava lombrado! Ela disse que nunca tinha feito sexo com um gay, e ele rebateu dizendo que também nunca tinha transado com uma mulher, juntou a curiosidade com a oportunidade e daí vocês sabem o que aconteceu!

 — Nossa!!! – foi a exclamação geral

— Agora é o Marco! – Laura avisou lembrando-o de sua vez.

— Ah... Deixa eu pensar... Convido ao brinde... Os que já tiveram um amor à primeira vista. – John, David, Laura e inclusive eu, bebemos um gole.

O brinde de Carla me deixou vermelho, talvez por ser minha irmã:

— Convido ao brinde... Os que já fizeram ou receberam sexo oral! – como havia dito, esse convite me causou bastante vergonha, o restante sorriu, vaiou, e fez uma algazarra enorme na hora.

— Piranha!!! – gritou Rudi, que após também beber um gole continuou – Tinha de ser irmã do Vitor!

Carla virou seu copo quase engasgando de tanto rir, além dela e de Rudi beberam John, Diego e David. Eu, inocentemente, fui chamado de mentiroso por não ter acompanhados os meninos no brinde.

— Roda a garrafa pra ele! – gritou Rudi, debochando de mim.

— É !!! – todos incitavam.

— Eu não menti gente! – minha justificativa não foi válida.

Houve uma pequena pausa para Rudi e John pegarem outro vinho. Notei um estranho atraso e um sorriso disfarçado nos lábios deles quando voltaram.

— Podemos agora? – perguntou David impaciente.

— Só um segundo, vou trocar de cd! – coloquei o “ X ”, da Kylie.

Carla gira a garrafa.

John, eu, David, Rudi, Laura, Diego, Marco, Carla – apontava-nos de um por um – John, eu, David, Rudi, Laura, Diego, Marco, Carla – e lentamente – John, eu, David, Rudi, Laura – parando – Diego, e sem se mover mais, o gargalo teve fim em frente ao Marco. Encaramo-nos e olhamos para Laura.

— É regra do jogo! – advertiu Rudi.

— É só um jogo Laura, você não precisa... – fui interrompido pela minha prima:

— Eu sei Vitor, confio em você!

Confesso que me senti mal com essa afirmação. Mas pensando bem, ela tinha dado permissão, era uma brincadeira inocente e que mal teria um selinho?

— Ok!

Me aproximei de Marco. Percebi que mesmo com o receio causado pela situação, ele queria que aquilo acontecesse. Fechei os olhos. Tocava The One no som. O beijei. Em menos de um segundo acabou. Sem sentimento e sem culpa. Simples assim. Fingi que nada tinha acontecido e sentei pra terminar o jogo.

— Convido ao brinde... – John pensou um segundo e terminou a frase. – ...Os  que já beijaram o Rudi!

Soou como uma provocação. David levantou de onde estava e entrou cego de ódio dentro de casa.

— Quando foi isso? – perguntei.

— Agorinha! Quando saí pra buscar vinho com John!

— Piranha !!! – gritou Carla igualmente como quando foi chamada assim por ele.

Rimos. A brincadeira ficava cada vez mais divertida. Ia ser a minha vez de brindar quando Diego apontou para o andar de cima. David estava na varanda acima de nós, preparando-se para mergulhar no chão. Rudi e Carla subiram as escadas correndo e entraram no quarto principal, onde ficava a varanda. Os que ficaram em baixo, assistiam a cena impressionados.

— Não chega perto que eu me jogo! – David brigava com Rudi, dizia que ele era o culpado por tudo.

— Sai daí rapaz, a gente conversa depois! – amenizava Rudi.

— Não, Não! Você me trouxe aqui só pra me humilhar! – David gritava cada vez mais alto, fazendo Fabi despertar e vir saber o que acontecia.

— Ele tá bêbado! – alertava Carla.

— Que palhaçada é essa David? Sai dessa varanda agora ou eu ligo pra polícia! – Fabi se aproximava dele.

Escrito por LexPhb às 01:08 PM
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2 hearts parte 7°

nenhum segundo daquele instante, Laura tratou de nos convidar para dar um mergulho. Marco a seguiu até o mar, enquanto Carla e eu procurávamos um lugar ao sol.

Laura parecia muito feliz, imaginava Marco numa linda pintura, tendo como cenário o oceano atlântico. Pensava se era a hora certa de perguntar sobre a relação dos dois, quando nesse momento Marco interrompeu:

— Laura, temos que conversar quando voltarmos pra Teresina.

Nessa hora Laura se encheu de confiança e respondeu:

— Claro Marco, eu quero muito.

— Quer o quê? – rebateu ele.

— Conversar com você!

— Sim, mas só quando voltarmos, ok?

— Ok! – ela mergulhou sentindo o coração batendo forte.

 

Uma hora debaixo de sol me deixou morto de sede, e Carla deve ter lido meus pensamentos quando falou:

— Tô indo no bar, quer beber alguma coisa?

— O de sempre, por favor! – respondi.

Alguns minutos depois, minha irmã voltou, não só trouxera meu Martini como também o tira-gosto.

— Meninos, esse é o meu irmão, Vitor! – disse Carla apresentando a mim dois lindos rapazes que a acompanhavam. – Vitinho, quero que conheça o Júlio e Hian! Eles são irmãos também!

— Prazer! – respondi educadamente, cumprimentando os dois.

— O prazer é meu! – apertando forte minha mão, notei certo interesse vindo de Hian, que foi confirmado quando Carla soprou discretamente no meu ouvido as palavras mágicas: “É todo seu, irmãozinho!”

A primeira coisa que reparei no Hian foi sua altura, um metro e oitenta; pele rosada, olhos verdes e cabelos loiros caídos na testa, levemente molhados. Usava uma sunga branca e carregava uma prancha de surf.

— E então Hian, você surfa mesmo ou essa prancha é só pra impressionar?

— Digamos que eu faço bicos como instrutor cara!

— Ah! E o quanto eu preciso desembolsar pra ter umas aulas com você?

— A primeira é grátis, a segunda vai custar um sorriso seu, e da terceira em diante... – fez uma pausa e completou – Bem, ai você paga como puder!

— Háhah! – sorri.

— Pagando adiantado né?

Sorri novamente e cobrei desde já minha primeira aula. Imediatamente Hian pegou a prancha e me levou em direção à maré. Passei rapidamente por Laura e Marco que seguiam rumo ao quebra-mar.

Devo ter ficado mais tempo n’água que em cima de alguma onda, pois eram quase nulas as vezes que consegui me equilibrar em cima delas. Para ele era fácil me mandar remar, deitar e levantar, mas fui vencido pelo cansaço e sugeri que ficássemos conversando, apoiados na prancha em pleno alto mar. Perguntei como Hian havia conhecido minha irmã e me contou que começaram um papo enquanto esperavam ser atendidos no bar.

— Ela deve ter me sacado quando pedi um Martini!

— É, o Martini sempre denuncia! – rimos.

Realmente, um belo sorriso me encanta! E se Hian fosse uma sereia, ou melhor, um tritão, com certeza eu teria seguido a lenda e morrido afogado. A cor de seus olhos realçava-se contra o mar, ou era o mar que combinava com a cor dos olhos dele, isso não sei, o que pude perceber foi que bem ali eu me vi com o cara mais lindo que conheci na vida e dessa vez, era todo meu.

Devagar e sem nos dar conta, as ondas nos levaram para um lado mais isolado da praia, quase sem ninguém à vista. Sozinhos ali e sem os olhares de curiosos arrisquei dar-lhe um beijo. E que beijo! Doce, lento e romântico, como num filme. Tinha vontade de abraçá-lo, sentir seu corpo mais perto, no entanto, a prancha nos separava dando um disfarce perfeito caso alguém olhasse. O clima foi esquentando, o desejo crescendo e a vontade de ter um ao outro levou às carícias que secretamente trocamos embaixo d’água. Hian não agüentou o tesão e enfiou uma das mãos dentro do meu calção, enquanto a outra se apoiava na prancha de surf. Fazendo o mesmo, correspondi o prazer que ele me proporcionava. Pude sentir o quão isso o excitava pelo volume que tirei para fora da sua sunga, e com movimentos intensos e consecutivos, nos masturbamos reciprocamente até o auge da excitação.

Reparei que estávamos perto do quebra-mar quando ouvi Laura me chamando. Beijei Hian mais uma vez e o convidei a retornar para o quiosque. Eu estava transbordado de felicidade, contei a Laura como conheci Hian e me felicitando pelo eu “achado”, abraçou-me. Ao chegarmos onde Carla e Júlio estavam, Marco pediu que o acompanhasse ao banheiro, onde com certa estranheza, me perguntou:

— O que você fazia tão longe com aquele cara?

— O Hian?

— É, o Hian!

— Ah, ele tava me ensinando a surfar.

— E precisava se esconder da gente?

— Como é rapaz?

— Você sumiu com um cara que mal conhece, sem nem dizer pra onde ia!

— Ele tava me ensinando a surfar, cara! – repeti.

— Agarrados daquele jeito?

— Qual é Marco, agora eu tenho que te perguntar primeiro quem eu posso beijar ou não? Por acaso eu tenho alguma coisa contigo?

— Não Vitor! Pior que não! – essa frase nos calou, num silêncio enigmático.

Se Júlio não tivesse entrado no banheiro, eu teria ficado lá, imóvel, tentando entender por que as palavras do Marco mexeram tanto comigo.

— A Carla mandou te entregar. – disse Júlio passando-me o celular. – É o Rudi.

Marco saiu.

Voltei ao quiosque avisando que Rudi nos esperava na casa de praia. Laura e Marco levaram as coisas pro carro enquanto eu e Carla nos despedimos dos irmãos. Troquei números de celular com Hian, prometendo que sairíamos no decorrer da semana, nos abraçamos e fui pro estacionamento com minha irmã.

— Eu dirijo! – roubando-me a chave, Carla e Laura assumiram a frente do carro.

Previsivelmente eu teria de ir ao banco traseiro com Marco, que passou o percurso fitando além da janela. De repente senti aquele clima tenso de novo.

Em quinze minutos chagamos à casa de praia dos pais de Rudi. Muitos convidados na piscina (a maioria gay), comes e bebes à vontade e som estremecendo tudo num raio de cinqüenta metros.

Almocei e dormi, acordando somente às sete da noite. Da janela do quarto, vi quase todos os convidados indo embora. Carla bateu a porta e entrou junto com Laura. Rudi havia dito para elas me chamarem, ele quis se reunir com os mais íntimos que ficaram. Os encontrei bebendo uísque no terraço da frente onde rolava um show de piadas.

Uma van entrou pelo portão trazendo Fabi e outros amigos de Rudi que eu não conhecia:

— Oi gente! – ela nos cumprimentou. – Cadê meu irmão?

— Na cozinha preparando o jantar! – respondeu Carla.

Fabi me pediu que recebesse os meninos enquanto dava um recado ao Rudi. Avistei David, o “ex” de Rudi saindo do carro e instantaneamente suspeitei qual seria o recado.

Escrito por LexPhb às 01:06 PM
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2 hearts parte 6°

Enquanto Marco trocava de roupa, aproveitei para perguntar a Laura que estória era essa do tio brigar. Ele jamais havia reclamado de ninguém que houvesse dormido lá! Foi quando minha prima confidenciou a mim, um pequeno desentendimento que tiveram. Sem saber dos detalhes, simplesmente concordei e disfarcei ao vê-lo chegar.

— Tudo certo Vitor?

— Só um minuto Marco, ainda temos de deixar Jacky em casa, de lá poderemos ir embora!

Dei partida no carro e ao chegar à casa da Jacky, fiz questão de levá-la até a porta. Insisti em vão saber o que acontecera. Ela somente despediu-se e entrou.

Indo para casa com Marco ao meu lado, eu não sentia mais aquela tensão de anteriormente. Devo ter imaginado um clima que nunca existiu. Não teria cabimento o ficante da minha prima dar em cima de mim.

Entramos em casa e fomos pro meu quarto. Marco se despia enquanto observava surpreso os desenhos na parede. Revelei que os tinha pintado e que eram os mesmos que Laura punha no Orkut como sendo seus.

Ele me surpreendeu ao dizer que só visitava o perfil da minha prima para vê-los, mas surpreendeu mais quando ficou somente de cueca na minha frente. Realmente aquele corpo havia sido esculpido! Não tive como não notar aquelas pernas quase sem pêlos, bastante grossas, o peitoral bem desenhado e a barriga que convidava ao pecado. Lembrei o quanto sonhava em ter um homem assim no meu quarto e fui ao inferno por não poder nem chegar perto dele. Tratei de mandá-lo escovar os dentes no banheiro antes que percebesse meus olhares, enquanto isso, eu vestia algo mais leve para dormir e o aguardava desocupar a pia.

Logo que Marco saiu, entrei feito uma bala no banheiro, tentei fazer xixi e quase não consigo de tanta excitação. – será que ele notou? – pensei. A imagem daquele cara no meu quarto me deixava perturbado, sentimento que aumentava quando lembrava de Laura. – Pirou Vitor? Ele é hétero e é da sua prima! – essa idéia me deu controle e coragem pra voltar ao meu quarto, onde por sorte, achei Marco dormindo. Passei por cima do colchonete e na minha cama deitei.

Como dizem alguns, estava no quinto sono e dormia de bruços quando senti algo liso subindo por minhas costas e escorregando até o pescoço. Olhei sonolento para trás e vi o rosto do Marco distanciando-se de mim como se tivesse deslizando sua língua em meu dorso, acomodei a cabeça no travesseiro e voltei a dormir. Acordei espantado minutos depois e num reflexo retardado me dei conta do sonho que tivera. – Truque do desejo. – pensei – e voltei a dormir.

 

Capítulo 4

Levantei nove horas, lavei o rosto e voltei ao quarto ouvindo meu celular tocar. Laura enviou uma mensagem avisando que chegaria em quinze minutos, tempo que acordei Marco e o levei à cozinha onde minha mãe preparava o café.

— A noite foi boa, né meninos?

— Hum hum – respondi.

— Que cara é essa rapazinho? – se dirigindo ao Marco – não dormiu direito?

— Só consegui pegar no sono de manhã Dona Graça!

Laura chega, beija Marco no rosto e me pergunta se íamos ou não encontrar Rudi na praia. Respondi que se Jacky não fosse conosco eu teria de chamar outra pessoa para me acompanhar, minha mãe ouvindo isso sugeriu:

— Por que não leva sua irmã Vitor?

Carla é um ano mais nova, têm 1,60m, cabelos castanhos e enrolados, porém mais compridos que o da nossa mãe, mas com um temperamento nada calmo e sério do nosso pai, embora eu ache que no fundo ela é louca como eu. Somos muito ligados, ela sabe sobre minha vida homossexual e me apóia em tudo.

— Tá afim Carla? – perguntei.

Ela aceitou sem muito entusiasmo e partimos rumo à praia do Coqueiro.

No caminho, concordamos em pegar um sol antes de encontrar Rudi. Chegando lá, estacionamos o carro e fomos pra um quiosque perto da orla. Não querendo desperdiçar

Escrito por LexPhb às 01:01 PM
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2 Hearts parte 5°

— Qual é Vitor!? – rebateu Marco – Você não é nada feio e teu corpo é totalmente proporcional, além disso, você é engraçado, e muito interessante!

Naquele momento, desconfiei da heterossexualidade do Marco! Laura que me perdoe, mas um cara tão ponderado assim não tinha como não ser gay ou pelo menos bissexual. Estava tão desconcertado que minha resposta foi um obrigado bem seco. Esse clima meio tenso foi amenizado com a chegada eufórica da minha prima, que me puxou próximo a ela e disse:

— Vitinho me Salva! Eu estava no banheiro com a irmã do Rudi...

— A Fabi? – interrompi.

— Sim, ela! Me deixa continuar! Perguntei se tinha batom pra eu retocar e ela respondeu que só tinha o da boca dela, e foi logo me agarrando e tentando me beijar!

— Nossa! E o que você fez?

— Saí de lá às pressas, ela veio me seguindo e ... aí vem ela de novo!

— Calma Laura, calma!

Marco não estava entendendo nada! Ainda mais quando Fabi chegou pedindo desculpas e dizendo: “Eu não sabia, juro, eu não sabia!”. Laura agarrada a Marco, demonstrava sua opção sexual para Fabi, e essa, completamente sem graça, pedia novamente desculpas à minha prima. Rudi chegou nesse exato momento e quis saber do ocorrido. Marco simplificou tudo como um grande mal-entendido, feito isso, o casal foi me esperar no carro enquanto eu perguntava para Rudi onde ele havia deixado Jacky.

— Calma moço, antes de você ir tem um boy que eu quero te apresentar!

Rudi me deixou na porta de seu quarto, onde um tal de Eric me esperava. O rapaz tinha uma boa aparência, um corpo não muito magro, cabelos cacheados bastante volumosos, mas com um acessório nada convencional para àquela hora, acreditem ou não, ele usava óculos de lentes roxas, tamanhas onze e meia da noite, e isso foi o cúmulo da falta de moda para mim. Ao entrar no recinto, Eric dispensou apresentações, me apertou contra seu corpo e lambendo meu ouvido de uma forma repugnante me perguntou se eu tinha preservativo. Eu só conseguia pensar em duas coisas: livrar-me daquela alma perdida e matar Rudi. Essa primeira, consegui executar quando Fabi abriu a porta do quarto me chamando ao banheiro, pois segundo ela, Jacky chorava lá. Saí depressa sem me despedir daquele encosto e fui encontrar minha amiga.

No banheiro do andar térreo, Jacky chorava desoladamente, não adiantava perguntar o que havia acontecido, o desejo da minha amiga era de ir embora. Agradeci Fabi por ter me chamado e deixando a casa, avistei Rudi se aproximando, ele nos olhava indiferentemente e como se nada estivesse ocorrendo, perguntou-me se não gostaríamos de terminar a festa numa casa de praia. Agradeci o convite, prometi ligar e dar a resposta depois, pois naquele momento, minha prioridade era acalmar Jacky e levá-la pra casa.

O aniversariante nos acompanhou até onde deixei o carro estacionado e enquanto todos nos despedíamos percebi de longe a chegada de um rosto familiar entrando na casa de Rudi, demorei alguns segundos e me lembrei daquele rapaz que eu já conhecia, era Sanges. Perguntei quem era ele, na esperança de que me confirmasse seu nome, mas Rudi disse somente que deveria ser mais um penetra, vindo de sabe Deus onde, atrás de diversão.

Primeiramente fui deixar Laura e Marco, os dois pareciam ter brigado enquanto esperavam por mim no carro, pois não abriram boca no caminho de volta, porém, ao parar em frente a casa n° 1761 da Av. Pedro Freitas, onde Laura morava, a mesma me pediu um favor que jamais esperaria:

— Vitinho, será que você deixa o Marco dormir na sua casa hoje?

— Por que, Laura? – perguntei.

— Lembrei-me que o papai chega amanhã, e ele ficaria meio bravo se visse o Marco dormindo aqui.

— Se não for causar problema pra ti cara! – completou Marco.

— Não, sem problema! Pega lá o que for precisar que eu espero aqui no carro.

 

Escrito por LexPhb às 12:47 PM
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2 hearts parte 4°

Atravessamos todo o bairro Piauí em direção à Guarita, onde Jacky morava. Tive a sorte de encontrá-la já vestida para sair. Ela desistiu de ir à boate para me acompanhar à festa, mesmo não gostando muito do anfitrião.

— Será que ele não vai brigar com você Vitinho? – ela perguntou.

— Claro que não Jacky, ele mandou levar quem eu quisesse. – tranqüilizei – Vamos logo, Laura está nos esperando no carro com o namorado.

Entramos no carro apressados e atrasados.

— Espero não estar atrapalhando! – disse Jacky.

— Você não atrapalha Jacky, além disso, é sempre bom ter conhecidos por perto quando se vai a um lugar diferente.

— Chamar o Rudi de ‘diferente’ é um pouco modesto da tua parte Laura, ele beira o esquisito! – rimos todos da minha afirmação e partimos.

Ouvíamos a música mesmo antes de dobrar a esquina, lá dentro com certeza estaria fervendo.

A decoração em estilo militar, com tecidos camuflados em todas as paredes, objetos imitando armas de guerra e uniformes do exército pendurados em cabides pela casa, me fez sentir no clipe “American Life”, da Madonna.

Rudi adorou a presença de todos, Laura lhe apresentou ao Marco, que se sentindo bastante à vontade, elogiou a decoração ambiente. Perguntei por Fabi, a irmã de Rudi, que tratou de chamá-la para que todos formassem uma só turma. Estávamos todos nos divertindo bastante. Marco, sendo nosso barman particular preparou vários coquetéis. Sentados na varanda a fim de ‘cortar’ os convidados que chegavam, dentre eles, muitos penetras, mas isso foi só mais um motivo de risos para nós, afinal, não interessava a Rudi se a festa fosse boa ou ruim, o importante era que estivesse lotada!

— Alguém me leva ao banheiro? – perguntou Laura.

— Eu vou com você! – Fabi ofereceu e saíram.

— E ai Jacky? Vamos dar uma de cupido e arranjar alguém pro Vitor?

— Claro! – concordando com Rudi, Jacky se retirou com ele atrás de um encontro às cegas para mim.

Eu, sem assunto, chamei Marco para pegarmos mais uma bebida. Atravessamos a sala, cheia de rapazes suados, alguns sem camisa exibindo uma excelente forma física, dançando ao som de I’m salve 4U, como num jogo de sedução, só de homens e onde mulheres eram descartadas. Na cozinha, não deixei Marco fazer o coquetel, eu mesmo quis mostrar minha receita secreta. Usando somente uma medida de vinho para três medidas de leite, duas colheres de açúcar e muito gelo picado, preparei o “sangue de gato”, que foi muito bem aceito. Acho que estava bêbado quando elogiei os corpos dos rapazes na frente do Marco, já que não partilhávamos da mesma opção sexual, achei idiota meu comentário, no entanto, Marco foi bastante compreensível, não se mostrou indiferente, nem intimidado, mesmo ao ver duas garotas invadindo a cozinha e beijando-se na nossa frente.

— Relaxa Vitor, é um aniversário GLS! Eu sabia o que poderia ver por aqui e vim assim mesmo, ou seja, não vou ficar traumatizado com nada que possa acontecer!

Dessa vez, eu que fiquei chocado! Um hétero com uma mente tão liberal é muito difícil de achar, nessa hora imaginei: “Laura, esse sim é um homem de verdade! Arrasou prima!”. Depois dali me senti muito mais próximo do Marco, pude falar abertamente sobre o meu mundo, que ele me ouvia atentamente.

Seguimos dançando pela sala, à procura das meninas quando um garoto de mais ou menos quatorze anos, um tanto embriagado, surgiu na minha frente me pedindo um beijo. Prontamente, Marco segurou minha mão e disse àquela “criança”: — Ele tá comigo, cara! – O rapaz deve ter se intimidado e saiu, eu, agradecendo Marco, ofereci um gole do meu drink, pois o dele havia acabado e comentei:

— Tudo bem que meu charme é irresistível e que meu carisma chama atenção... – brinquei – ...mas dar em cima desse jeito é demais! Se ao menos eu fosse mais alto e bombado, eu já estava acostumado!

Escrito por LexPhb às 12:29 PM
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2 hearts parte 3°

— Sabia, só que eu tava voltando pra casa e resolvi passar aqui pra te contar uma ‘nova’ que aconteceu comigo agora à noite!

Resumi o fato que havia me ocorrido a pouco enquanto Rudi mostrava alguns cd’s que iriam tocar na festa de aniversário, dentre eles: Britney Spears, Rihanna, Madonna e outras celebridades do Pop/Dance. Rudi também quis saber quem seria meu acompanhante, e respondi um NINGUÉM! Sem nenhuma expectativa.

— E a Carla? Porquê não traz ela? – perguntando pela minha irmã.

— Sei lá rapaz, a Carla não seria uma companhia perfeita numa festa cheia de babados! Ela não é “do meio”, lembra? Tu acha que eu ia poder aproveitar a festa com ela do meu lado? Melhor eu chamar a Jacky, ou outra pessoa.

— A Jacky? Háhá, Eu sabia que ela era lésbica! Aquele cabelo sem corte, aquela cara sem brilho e aquelas roupas sem graça nunca me enganaram!

— Não doido, a Jacky não é lésbica, e nem é minha irmã também!!!

— A Jacky não é? Aham! – Rudi zombou – Traz quem tu quiser! Aqui eu te apresento um boy.

Sorri, olhei pro relógio que já marcava meia-noite e dei parabéns ao meu amigo que acabara de completar 23 anos de vida.

Eram quase duas da madrugada quando cheguei em casa. Mal entrei e Carla disse que tinha um recado pra mim: “A Laura disse que vai te ligar amanhã de manhã! Dizendo ela que tem uma noticia boa pra te dar, mas não falou sobre o que era”.

Fiquei curioso, cheguei a ligar pra Laura, mas seu celular estava desligado, então deixei pra perguntar o que era de manhã.

 

Capítulo 3

Fui acordado às nove da manhã com o telefonema de Laura, ansioso, fui logo perguntando sobre que assunto tão urgente se tratava. Primeiro ela me enrolou um pouco falando de como tinha sido seu encontro com Marco, mas assim que perguntei sobre a novidade boa, respondeu que se tratava de uma carona para Parnaíba que havia conseguido. Fiquei muito feliz ao saber que minha prima viria, mais ainda ao saber que ela chegaria naquele mesmo dia e para completar, Laura me traria um presente! Achei ótimo, tanto que cheguei a convidá-la para ir à festa do Rudi comigo.

Laura chegava sete horas da noite e combinamos que estaríamos prontos às oito e meia, quando eu iria buscá-la.

Às 08h30min estava eu, no carro do meu pai, buzinando para que Laura soubesse que havia chegado. Ela saiu na porta com os mesmos cabelos lisos, só que tingidos de vermelho e um pequeno enfeite em forma de borboleta. O vestido preto e curto combinava com uma linda sandália de salto, na cor da roupa, que roubariam os olhares de qualquer homem ou mulher, seja hétero ou homo.

Desci do carro e ao abraçá-la com saudades, notei um rapaz desconhecido vindo em nossa direção. Laura se virou e trazendo ele para mais perto, disse:

— Surpresa!!! – aproximando o rapaz a mim – Olha quem eu trouxe pra você!

Quase jogando o garoto em cima de mim, foi assim que Laura me apresentou ao Marco, rapaz de expressão bem calma, com olhos profundamente sinceros e um corpo tão perfeito que fez Laura parecer injusta ao descrevê-lo simplesmente como bonito, porém, nenhum músculo se comparava ao seu largo sorriso.

— Prazer, Vitor! – foram as primeiras palavras que ele me dirigiu. – a Laura fala muito de você!

— É, ela não sabe viver sem mim, digo até que nutre uma paixão impossível por mim.

— Mesmo? – disse abraçando Laura – mas quem hoje em dia não vive uma paixão impossível, não é?

— Hei, meninos! Vamos deixar o papo pra quando chegarmos à festa, ok?

Subimos no carro, mas antes de ir pra casa do Rudi, decidi convidar Jacky, mesmo em cima da hora, afinal, eu não queria servir de vela a noite toda.

Escrito por LexPhb às 12:28 PM
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